sábado, 1 de março de 2014


Um grande negócio  
De como apesar de todo burburinho em torno das eleições indiretas, onde a governadora tenta impor o nome de Luis Fernando Silva, o candidato do governo terá mesmo é a abençoada sorte, se eleito, de ter acertado na loteria. 

Por Fernando Atallaia
Editor da Agência Baluarte 
atallaia.baluarte@hotmail.com


Quem acha que o interesse do grupo Sarney em manter um governador à frente do estado é estritamente político está redondamente enganado. O interesse de Roseana e seu grupo passam pela preocupação em manter, sim, toda uma rede de negócios que integra as articulações dos Sarneys há décadas. 


Uma rede que se estende do mais alto ao mais  baixo e emergente escalão, onde aparentados, amigos, parceiros de ''negócios'' são figuras presentes na configuração do comércio. O medo da governadora é menor que o medo daqueles que sonham em ascender socialmente (crescer na vida, no jargão popular) através da política profissional. Conceito degenerativo de Política como meio de representação popular. 
Roseana: medo de deixar a grande famiglia desamparada
Para fazer frente ao acentuado receio, Roseana fará, certamente, tudo e muito o mais para eleger seu governador. Já deu provas disto: se estivesse confiante e também confiasse em todos de seu grupo, o presidente da Assembleia, deputado Arnaldo Melo, há muito, já era o governador do Maranhão. 

Segurar uma estrutura viciada e viciosa que se compõe de milhares de sanguessugas que vilipendiam e oneram o orçamento do estado (leia-se pessoas que vivem da mamata, benesses e privilégios do governo de Roseana sem nenhuma competência para ocuparem cargos de qualquer natureza ) é a grande dor de cabeça da governadora. E é justamente aí que entra Luís Fernando. 
Luís Fernando Silva: o prêmio é bom e ele não pode deixar a peteca cair
Centralizador, capaz de excluir os insurgentes, e ainda de eliminar politicamente os adversários, o secretário, como pensa Roseana, seria também capaz de manter o grupo sobre o domínio social do estado, sem ousar trair os seus integrantes. Luís Fernando é para Roseana como foi Hans Baur para Hitler. Um piloto que diante da tragédia anunciada anunciava  a  esperança. Aqui, a esperança é em não deixar o poderio econômico do Grupo sufragar a Flávio Dino. Muitos ficariam desamparados. ‘’Empregos'' e oportunidades de esquemas  iriam para a lata de lixo, e a constatação da derrocada seria insuportável para quem a todo custo sempre se manteve no poder. 

O comunista Flávio Dino: ameaçando acabar com a festa do Grupo
Conforme apontam os indicadores da disputa ( as redes sociais, entre estes) nos meses que se seguirão o grupo Sarney usará de todas as armas, as mais torpes e (im)prováveis para tentar reagir a seu próprio desgaste.Campanhas no melhor do estilo  ‘’sujar nomes’’ devem ser realizadas e ataques gratuitos elaborados. 
Mas todas essas táticas só mostrarão o quanto o medo do Grupo é grande. Por outro lado, valeria a pena correr o risco, e Luís Fernando conhece bem o bônus da disputa: concentrar em suas mãos uma estrutura milionária digna das maiores das loterias. Um premiozinho para quem não gosta nada, nada, de poder e dinheiro. Um premiozinho para as futuras gerações de apadrinhados dos Sarneys. E é assim que é.






Repórteres ilustram a capa da Sexy de fevereiro 
Do paraíba.com  

Os marmanjos já podem correr para as bancas: a revista Sexy de fevereiro foi divulgada e estampa três gatas.

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As gatas estão agitando a imaginação dos leitores da Agência Baluarte
Chamadas de “Gatas do Agito”, três repórteres do programa “Agito”, da Band, são as musas da revista masculina. São elas Monique Seiffert, Ariana Medeiros e Helena Silva.

O ensaio foi feito no litoral norte de São Paulo pelo fotógrafo Nelson Miranda. E se engana quem acha que elas ficaram desconfortáveis por dividir a capa com outras duas. Rolou até um clima…

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Praia, sombra e água quente: ensaio foi feito em clima de reportagem
“Rolou! A Ariana, inclusive, é bem esperta. Aproveitou.”, disse Helena. “Prefiro fazer fotos nua do que com roupa”, provocou Ariana.

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Próxima sessão de fotos poderá acontecer na praia de Jussatuba em São José de Ribamar no Maranhão

Monique contou que não teve experiências com outras mulheres, mas que não teria problemas: “Nunca aconteceu. Mas não teria problema em experimentar.”

Preso é encontrado morto no Presídio de Pedrinhas no Maranhão


Detento foi achado morto na tarde deste sábado (1º), em cela do CDP.
Com o registro, sobe para 6 o nº de mortos no sistema prisional do estado.


Por Clarissa Carramilo do G1 MA


Um detento foi encontrado morto na tarde deste sábado (1º) no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, segundo a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão (Sejap).

O preso fo identificado como Pedro Elias Martins Viegas, de 31 anos. Conhecido como Jacaré, ele era integrante de uma facção criminosa da capital maranhense. Segundo a secretaria, o detento já tinha sido preso três vezes por envolvimento com tráfico de drogas e formação de quadrilha.

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Movimentação em Pedrinhas: onda de assassinatos é constante na penitenciária
De acordo com a perícia do Instituto de Criminalística (Icrim), o corpo foi encontrado no canto de uma das celas do CDP, sentado em cima de um balde com marcas de esganadura no pescoço. Os peritos suspeitam que a vítima estava sedada e foi enforcada com um fio, mas somente a autópsia pode confirmar as hipóteses.

Segundo informações da Polícia Militar, Jacaré e mais três presos foram transferidos do Centro de Triagem para o Centro de Detenção Provisória da penitenciária na tarde de sexta-feira (28). Os integrantes da facção rival a do grupo conseguiram capturar Jacaré por volta de 20h e o mantiveram refém até a tarde deste sábado (1º), quando o detento foi executado.

A governadora Roseana Sarney: caos no sistema prisional e na Segurança pública é fruto de sua péssima gestão à frente do estado
A secretaria informou, por meio de nota, que o caso já está sendo investigado pela Polícia Civil e que o trabalho de perícia está sendo finalizado pelo Icrim. Leia a íntegra da nota da Sejap abaixo:
 
A Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) informa que a Polícia Civil já está investigando a morte do detento Pedro Elias Martins Viegas, de 31 anos, que foi encontrado morto por enforcamento, neste sábado (1º), no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.
Neste momento, o trabalho de perícia está sendo finalizado pelo Instituto de Criminalística (Icrim-MA).

Pedro Elias Martins Viegas cumpria pena por tráfico de drogas.

Com o registro, sobe para seis o número de presos mortos no sistema prisional maranhense este ano. Quatro mortes aconteceram no Presídio de Pedrinhas e uma no Centro de Ressocialização de Presos de Santa Inês, no interior do estado. A quinta aconteceu há três dias, quando o detento João Francisco Diniz Pereira foi encontrado enforcado na Central de Custódia Preso de Justiça (CCPJ) do Anil, em São Luís, na quarta-feira (26). De acordo com relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entregue no dia 27 de dezembro, 60 detentos morreram em presídios do Maranhão no ano passado.

Tentativa de fuga
 
Também na tarde deste sábado (1º), um grupo de detentos serrou as grades de uma cela e tentou fugir do Pavilhão da Reflexão do Presídio São Luís I, que pertence ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, segundo informações da Polícia Militar do Maranhão.

A fuga foi frustrada pelos policiais do Batalhão de Choque da PM que estão no presídio desde 27 de dezembro do ano passado, após ter sido decretado estado de emergência no sistema prisional do estado.

Cerveja: o transgênico que você bebe

Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e levam à ingestão inconsciente de OGMs

Por Flavio Siqueira Júnior e Ana Paula Bortoletto


Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.

Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.
Tem muito milho nesse copo... você pode ter certeza
E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.

Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.

Boa aparência, mas na essência milho pra galinha
Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.

Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.

Essas taças contém milho transgênico que causou câncer em ratos
Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por MonsantoSyngentaBasfBayerDow AgrosciencesDupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.

Tudo bem, mas e daí?

E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.

Foi muita cerveja com milho pra pouca barriga
Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)

Três gerações de milho
Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?

Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.

Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”
Vai uma, bem gelada?




*Ana Paula Bortoletto é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública. Flavio Siqueira Júnior é advogado e ativista de direitos humanos.


 

Oposição já faz lista de possíveis eleitos para deputado federal


Diego Emir


Depois de 2006, este ano é o melhor momento que vive a oposição no Maranhão. Com a população motivada por uma onda de mudança e com um candidato consolidado, por ter expressivos números em pesquisas eleitorais e de ser amplamente conhecido pela população, tudo leva a crer que a votação será expressiva em outubro. Por conta de todos esses pontos favoráveis, presidentes de partidos que trabalham no campo oposicionista, já começam vislumbrar uma ampliação de sua representatividade na Câmara Federal, chegando inclusive já preparar listas com os prováveis eleitos.

Com a empolgação e o bom momento que está se vivendo no momento, alguns acreditam que é possível eleger 10 deputados federais, o que seria um feito fantástico, uma vez que isso representa mais da metade das vagas disponíveis, que são 18. Porém os mais realistas, sabem que a tarefa não é tão fácil e acreditam que 7 é o número que devem alcançar.

Simplício Araújo (SDD) é um dos
 cotados pra vencer nestas eleições
Diante dessas possibilidades, trava-se agora nos bastidores o melhor caminho a ser tomado para alcançar esse contingente. Um chapão oposicionista ou chapas divididas? Essa é a dúvida que paira, entre os que pretendem concorrer as vagas.

Hoje o entendimento é que o chapão seja a melhor saída, no entanto o PTC já disse que não aceita e até o momento é o único que pode ficar fora. O PDT e PP tem suas ressalvas e ainda analisam a situação.

Zé Reinaldo é outro que tem
 uma boa vantagem eleitoral
PCdoB, PSB, PROS, SDD e PSDB caminham para um entendimento neste sentido, buscando ainda atrair legendas como PR e PPS, que hoje estão em outro campo.
 Seja qual for a escolha tomada, a lista de candidatos mais fortes que vão disputar as vagas de deputados federais, já está montada, falta saber se em outubro deste ano, os nomes serão confirmados pela população. Mas entre os oposicionistas é consenso que o ex-prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB); o ex-governador, Zé Reinaldo (PSB) e o deputado estadual Rubens Pereira Júnior (PCdoB) já tem suas vagas garantidas.

 Confira a lista dos fortes candidatos a vaga de deputado federal:

PDT 
Weverton Rocha
Deóclides Macedo
Julião Amim
Edson Vidigal
Rosângela Curado

PSDB

João Castelo
Carlos Brandão
Pinto Itamaraty
Hélio Santos

PSB
Zé Reinaldo
Luana Alves

SDD
Simplício Araújo
Domingos Dutra

PCdoB
Rubens Júnior

PP
Waldir Maranhão

POESIA SEMPRE
Leia o poema ''Verso Antigo'' da obra inédita A casa de Almíscar de autoria do poeta e escritor maranhense Fernando Atallaia 

Verso Antigo

Para Ferreira Gullar, Laura Amélia Damous, Lêdo Ivo e Leila Mícollis

Subindo às paredes para ESTREAR universos


Voltei às feiras de amizades para encontrar os pratos à espera


Os desmoronados de escolas eram mais belos e


Os tristes sorriam de perto sem encontrar vantagens


O tempo dos amores de espinhas casou as meninas num desenho de borrão

E a guitarra vingou a cítara dos violões Dispensados no acordão de mães angustiadas 

 


Gloriosa saudade emprenha espelhos e perturba linhas da imaginação no pensamento


O verso antigo inocente tinha mais voracidade que os cadernos de Drummond


Quando um menino pegava os calaguinhos para andar nas costas feito dragões

 


Quem ensaiava o hino nacional apanhando na palmatória da consciência nem entendia o que era dor

Continuava a cantar mais alto gritando a liberdade que perfurava os olhos e os pulmões


Era uma morada de sonhos em desalinho Alinhados para o amanhã de toda hora


Sem contemplar o sol morrendo nos dias indo Para os braços da lua ninguem sentia que a luz Criava sombras no arco-íris


Por isso eles eram  felizes   muito felizes


Conseguiam queimar  fogueiras sem temer os sóis que eram irmãos e nasciam

A guerra no Vale do Ribeira contra uma hidrelétrica 

Brasil de Fato 

No Vale do Ribeira, região com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado de São Paulo, a Companhia Brasileira de Alumínio, CBA, tenta a todo custo transformar seu projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto em realidade. Prostituição infantil, trabalho análogo a escravo – o dia no bananal rende R$ 15,00  –, uso indiscriminado de agrotóxicos e quilombolas mortos em conflitos agrários completam o cotidiano local.

A supressão ilegal de mata atlântica por latifundiários bananeiros, quase sempre às margens dos inúmeros cursos d’água, agrava ainda mais o cenário de assoreamento do Rio Ribeira de Iguape, que no passado foi navegável em quase todo seu percurso. Há ainda passivos ambientais deixados por atividades minerárias, contribuindo com altas dosagens de metais pesados em seus afluentes. Mesmo assim, o Ribeira ainda dispõe de belíssimas paisagens.

Com imensurável patrimônio ambiental, o Vale do Ribeira é tido como a Amazônia Paulista. Com o maior conjunto de mata atlântica contínuo, a região abriga um dos maiores complexos espeleológicos do planeta, intitulado Circuito das Cavernas da Mata Atlântica. Aproximadamente 40 cavernas atraem pesquisadores e praticantes de ecoturismo de todo o mundo. A mais famosa é a Caverna do Diabo, de fácil acesso.

Reprodução/Diário do Centro do Mundo
Prostituição infantil, trabalho análogo a escravo, uso indiscriminado de agrotóxicos e quilombolas mortos em conflitos agrários completam o cotidiano local conhecido como a Amazônia Paulista
É também no Vale do Ribeira que se concentram 51 comunidades quilombolas, remanescentes do trabalho escravo da mineração no século XVIII, refugiados da região de Iguape. Nestas comunidades, a agricultura de subsistência é prática difundida. Há rica diversidade de manifestações culturais que remetem aos seus ancestrais africanos. Há ainda populações ribeirinhas, posseiros, pequenos agricultores, pescadores e comunidades tradicionais.

A concessão para construção da Usina Hidrelétrica no Rio Ribeira de Iguape pela União é datada de 1988. De lá para cá, a CBA, empresa do Grupo Votorantim, tornou-se uma colecionadora de derrotas, fruto do insistente conflito com a comunidade local.

Concebida para produzir energia para o complexo metalúrgico da CBA, no município de Alumínio, a área destinada para a hidrelétrica está localizada entre os municípios de Adrianópolis (PR) e Ribeira (SP). A proposta contempla ainda outras três hidrelétricas ao longo do Rio Ribeira, mesmo lugar onde Carlos Lamarca estabeleceu seu foco de guerrilha na década de 70. Por curiosidade, na região também está situada a família do Deputado Jair Bolsonaro.

A CBA, ciente da fragilidade do componente econômico e fundiário da região, adquiriu 60% de suas terras com a velha lógica de desrespeito à legislação ambiental, colocando as populações tradicionais como obstáculo e entrave para o progresso. Até agora, 689 famílias foram removidas no processo de compra de terras. Houve redução de renda e o desemprego de meeiros, arrendatários e posseiros. Pastores  neopentecostais vêm angariando fiéis com o discurso da cura e do sucesso financeiro, com apoio de deputados estaduais de São Paulo.

O projeto inicial da Hidrelétrica de Tijuco Alto previa a inundação de áreas de preservação permanente e de comunidades quilombolas. A inundação de terras vizinhas do Ribeira pode levar ao desaparecimento de diversas cavernas, bem como impactar diretamente a zona estuaria da região de Cananéia, onde desagua o Ribeira.

Com a mobilização das comunidades tradicionais e com forte pressão de ambientalistas, o Ministério Público suspendeu a licença prévia em 1999 por considerar o empreendimento passível de licenciamento federal, uma vez que envolve áreas de dois Estados.

Em 2003, o IBAMA ficou encarregado pela nova fase do licenciamento ambiental. A partir de então, a CBA mobilizou um contingente de engenheiros e técnicos para aceleração do processo. Em 2007, após audiências públicas realizadas em vários municípios do Vale do Ribeira, populações ribeirinhas e quilombolas contestaram os estudos de impacto sobre o meio ambiente. Em Maio de 2013, a Fundação Cultural Palmares, instituição pública ligada ao Ministério da Cultura, apresentou parecer favorável a construção de Tijuco Alto, provocando novas manifestações e protestos de comunidades quilombolas.

Por outro lado, a expectativa da população das cidades de Eldorado, Ribeira e Adrianópolis é o progresso com a instalação da obra. Tal perspectiva se dá em alusão ao desenvolvimento econômico das cidades do entorno da hidrelétrica de Itaipu, perspectiva largamente difundida pelos agentes da CBA. Há ainda a ilusão propagada pelos técnicos de que as sucessivas enchentes nos municípios do Vale do Ribeira seriam sanadas com o advento da construção da barragem.

Para o Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens (MAB), o objetivo principal de barragens como a de Tijuco Alto é gerar energia para a indústrias de alto consumo, as chamadas indústrias eletrointensivas. Estas indústrias não só consomem muita energia, mas também se apoderam do meio de produção (água). O MAB ainda aponta para a falsa propaganda da CBA que difunde entre a população local sobre a geração de emprego e renda.

Os conflitos têm passado à margem da ação do governo do Estado. A ausência de assistência médica, dificuldades de acesso, falta de programas de desenvolvimento econômico e o uso recorrente da violência na disputa de terras dilapidam a mais bela região de São Paulo: o Vale do Ribeira.

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